04/11/13

Minta


Minta mas com muita classe
como se não se importasse
com sei lá quem quer que fosse
mesmo quem lhe trouxe
toda essa confiança
que lhe cobre a face
Minta mas com segurança
pra que eu me sinta criança
e me dê a doce liberdade
de ouvir mentiras
em palavras
que são de verdade


Música e letra 
Luiz Tatit/voz Ná Ozzetti
http://youtu.be/ol6T-JgIKuM

19/08/13

tatuagem


O meu único fracasso
Está na tatuagem no meu braço

É feliz quem já viveu aflito
E hoje tem a vida sossegada
Muita gente tem um corpo tão bonito
Ma tem a alma toda tatuada
Nelson Cavaquinho

Trate-me igual a tatuagem no teu peito, mas não risque o meu corpo, porque eu já tenho a alma tatuada com o teu nome e nem sou res para ser marcado. Tossan

22/04/13

Amo



Amo como ama o amor. 
Não conheço nenhuma outra razão
 para amar senão amar. 
Que queres que te diga,
 além de que te amo, 
se o que quero dizer-te 
é que te amo?
por fernando pessoa

17/02/13

Canção do dia de sempre




Tão bom viver dia a dia...
A vida assim, jamais cansa...


Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu...


E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência... esperança...

E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.


Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!


E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas...
o0o

por Mario Quintana

15/11/12

Vitrais


Poemas são como vitrais pintados! 
Se olharmos da praça para a igreja, 
Tudo é escuro e sombrio; 
E é assim que o Senhor Burguês os vê. 
Ficará agastado? — Que lhe preste!... 
E agastado fique toda a vida! 

Mas — vamos! — vinde vós cá para dentro, 
Saudai a sagrada capela! 
De repente tudo é claro de cores: 
Súbito brilham histórias e ornatos; 
Sente-se um presságio neste esplendor nobre; 
Isto, sim, que é pra vós, filhos de Deus! 
Edificai-vos, regalai os olhos! 

Johann Wolfgang von Goethe

08/10/12

Saudade



Coisa estranha esta saudade,
Não se vê, não se toca, mas esta ali...
Sinto saudades dos sonhos,
Dos planos mais loucos que já fiz...
Sinto saudade do que não existiu,
Mas queria que tivesse existido...
Parece que a saudade mora em mim,
Tanto, que se um dia parar de doer,
Vou então sentir saudade da saudade,
Deste suave sopro andarilho
Que eterniza as ausências....

14/09/12

Conjugação



Eu falo
tu ouves
ele cala.
Eu procuro
tu indagas
ele esconde.
Eu planto
tu adubas
ele colhe.
Eu ajunto
tu conservas
ele rouba.
Eu defendo
tu combates
ele entrega.
Eu canto
tu calas
ele vaia.
Eu escrevo
tu me lês
ele apaga.

Affonso Romano de Sant´anna

01/08/12

A ONÇA E O MACACO


POEMA INFANTIL 
por Maria Lúcia Godoy 
o0o

Lá vem a onça pintada!
fico toda arrepiada,
mas vendo a sua beleza
fico a olhá-la encantada,
bem a distância, é claro,
que não sou boba nem nada.

Concordo que seja linda
mas tem a garra afiada.
Seu olhar verde, rasgado,
seu andar macio e ágil.
É uma onça menina,
brincando aprende a caçar.

Ora, a onça vem com fome.
Há muitos dias não come,
pois a caça está bem rara,
e ela só vê a cara
de um macaquinho engraçado.

Entre as folhas se disfarça.
Ligeira prepara o bote:
como uma flecha dispara
sobre o animal assustado.
O macaco dá um pulo,
foge para um galho alto
onde a onça não alcança.

De longe ele faz caretas
meu Deus, mas que aflição!
Acalmei meu coração,
disse adeus ao macaco e à onça
 –  desliguei a televisão.

06/05/12

Procura-se


 
A aurora desperta pelo azul do mar,
A quietude outonal que rasga o dia,
a vida que ressurge rara após noite escura.
Procura-se
a esperança que saiu voando sem rumo,
uma alma alada como pássaro,
que desapareceu entre o céu e o mar.
Procura-se
sonhos pássaros perdidos na névoa tardia,
ventos leves, leves como o pensamento.
Procura-se
uma chance, uma sorte, uma nova saída,
uma ilha, um pouco de paisagem,
um verso capaz de descrever o instante.

Sônia Schmorantz

22/04/12

O ESTRANHO


Alguns anos depois que nasci, meu pai conheceu um estranho, recém-chegado à nossa pequena cidade. Desde o princípio, meu pai ficou fascinado com este encantador personagem, e em seguida o convidou a viver com nossa família. O estranho aceitou e desde então tem estado conosco. Enquanto eu crescia, nunca perguntei sobre seu lugar em minha família; na minha mente jovem já tinha um lugar muito especial. Meus pais eram instrutores complementares:

Minha mãe me ensinou o que era bom e o que era mau e meu pai me ensinou a obedecer. Mas o estranho era nosso narrador. Mantinha-nos enfeitiçados por horas com aventuras, mistérios e comédias. Ele sempre tinha respostas para qualquer coisa que quiséssemos saber de política, história ou ciência.
Conhecia tudo do passado, do presente e até podia predizer o futuro! Levou minha família ao primeiro jogo de futebol. Fazia-me rir, e me fazia chorar.
O estranho nunca parava de falar, mas o meu pai não se importava. Às vezes, minha mãe se levantava cedo e calada, enquanto o resto de nós ficava escutando o que tinha que dizer, mas só ela ia à cozinha para ter paz e tranquilidade. (Agora me pergunto se ela teria rezado alguma vez, para que o estranho fosse embora).
Meu pai dirigia nosso lar com certas convicções morais, mas o estranho nunca se sentia obrigado a honrá-las. As blasfêmias, os palavrões, por exemplo, não eram permitidos em nossa casa… Nem por parte nossa, nem de nossos amigos ou de qualquer um que nos visitasse. Entretanto, nosso visitante de longo prazo, usava sem problemas sua linguagem inapropriada que às vezes queimava meus ouvidos e que fazia meu pai se retorcer e minha mãe se ruborizar. Meu pai nunca nos deu permissão para tomar álcool. Mas o estranho nos animou a tentá-lo e a fazê-lo regularmente.
Fez com que o cigarro parecesse fresco e inofensivo, e que os charutos e os cachimbos fossem distinguidos. Falava livremente (talvez demasiado) sobre sexo. Seus comentários eram às vezes evidentes, outras sugestivos, e geralmente vergonhosos. Agora sei que meus conceitos sobre relações foram influenciados fortemente durante minha adolescência pelo estranho. Repetidas vezes o criticaram, mas ele nunca fez caso aos valores de meus pais, mesmo assim, permaneceu em nosso lar. Passaram-se mais de cinqüenta anos desde que o estranho veio para nossa família. Desde então mudou muito; já não é tão fascinante como era ao principio. Não obstante, se hoje você pudesse entrar na guarida de meus pais, ainda o encontraria sentado em seu canto, esperando que alguém quisesse escutar suas conversas ou dedicar seu tempo livre a fazer-lhe companhia... Seu nome? Nós o chamamos de 
Televisor.

Nota: Pede-se que este artigo seja lido em cada lar.
Agora ele tem uma esposa que se chama Computador
 e um filho que se chama Celular!
desconheço o autor do texto
.:.

26/03/12

Viver na Beira-Mar


Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca. Era eu
quem o bebia. Quando o mar
no horizonte desaparecia e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava enfim
com a ordem, eu
havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.

o0o
Fiama Hasse Pais Brandão

20/02/12

mar

Se eu pudesse ser o mar!
Que magnífico seria a efígie
com a própria química do salitre
em constante zumbido do vento,
e sem a neurose da azáfama
no firmamento com o conteúdo
quase azul com arrebol
tocado suavemente pelo vento
Navegaria em mim mesmo.
tossan

29/01/12

Queda

Foto histórica enviada pelo amigo Bergamo.

Ainda me olhas
Como olhos de folhas
Verdes
Mas já sou madura
Inteira
Queria
Cair
No teu chão
Aquele que deitas
Sozinho
CINTIA THOMÉ

05/01/12

Vento

No fim tu hás de ver que 
as coisas mais leves são as únicas
que o vento não conseguiu levar:
um estribilho antigo
um carinho no momento preciso
o folhear de um livro de poemas
o cheiro que tinha um dia o próprio vento...

Mário Quintanaphoto de Tossanhttp://tossanphotos.blogspot.com/

26/12/11

De tudo...


De tudo, ficaram três coisas: a certeza
de que ele estava sempre começando,
a certeza de que era preciso continuar
e a certeza de que seria interrompido
antes de terminar. Fazer da interrupção
um caminho novo. Fazer da queda um
passo de dança, do medo uma escada,
do sono uma ponte, da procura um encontro.
Fernando Sabino       Feliz Ano Novo!

08/11/11

Espectros invisíveis


Insisto em buscar as cores mais puras;
mesclo as pastéis apenas pra disfarçar!
Nessa vida é bom saber ler nas entrelinhas:
com o passar do tempo as juras se esvaem,
os beijos ardem, apenas servem de consolo.
Sou um midas ao contrário, e o que vejo?
Um tolo transformando o ouro em chumbo
e num segundo, um sonho que se perde ao léu.
Prossigo.
No firmamento crio estrelas, pinto um teto,
e dele caem os pingos de uma chuva escura.
Que loucura esse mundo insipiente de amor!
Protejo-me e entreabro apenas a janela.
Quando na minha tela o pincel, por ventura,
se enternece e tenta criar uma nova cor,
o antigo espectro ainda aparece ao fundo!

por Expedito Gonçalves Dias
***
photo por Baraçal

05/10/11

Um túnel chamado Esperança

Assim nos encontramos,

num túnel escuro,

no meio do nada,

sem saber o que há

do outro lado.

Somente o eco

de nossas palavras

soaram confusos

e mesmo difusos,

se fizeram ouvir

e juntos decidimos

para onde seguir.

Caminhamos sem medo,

pois não há segredo

que não possamos

os dois juntos descobrir.

São sentimentos que nos fazem

outros caminhos seguir.

Já conhecemos os nossos desejos

e nessa busca incessante,

seguiremos juntos,

nessa longa estrada,

que nos conduz nesse túnel

sem luz,

a um lugar chamado Esperança,

que é tudo o que nos resta,

além de nossas lembranças

de um passado.

que não nos fez feliz...

por Débora Benvenuti

http://embalandosonhos.blogspot.com/

16/09/11

beijos azuis


Mar de infinito azul
Luar aveludado
Tingindo
este mar de prata.
Vestido macio
Toque de seda
Beijos azuis
sempre no final...
Papel branco
Envelope negro
Brisa suave
Soprando o papel
Formas e rostos
Se apagam na folha
Beijos azuis
sempre no final...
Gotículas de chuva
que borram palavras
Luzes azuis
Nuances vermelhas
Riscos das luzes
No chão do asfalto
Beijos azuis
sempre no final...
«Beijos azuis» por Maria Dias

28/08/11

Talento


***
Você pode ter um talento incrivel para alguma coisa, como pintura, por exemplo, e dedicar-se com extrema paixão a este dom.

Você estuda arte, aperfeiçoa suas técnicas e até chega a ter seus trabalhos expostos, vencendo concursos aos quais certamente você dá muito valor, obtendo reconhecimento de críticos, amigos e ganhando admiradores, mas... justamente aquela pessoa a quem você mais ama e que está com você não dá a mínima para o teu trabalho...

É... isto realmente pode doer um pouco, até por que costumamos direcionar nossos esforços e ações para aquelas pessoas que nós amamos, e é sempre muito mais gostoso receber o reconhecimento destas pessoas em especial mas... paciência.


Lembre-se que amar também é respeitar a opinião e a individualidade do outro. E, sobretudo, atente para o fato de que, entre bilhões e bilhões de pessoas neste mundo, esta pessoa que você ama decidiu ficar com você, mesmo que para ela você não seja o melhor artista do mundo...
Augusto Branco

05/08/11

3 craques



O craque Cesar Lemos: Era um Palmeiras vs. Corinthians. Os palmeirenses ganhavam de 1 a 0, até que o adversário conseguiu empatar. No meio da confusão após o gol, César Lemos foi catimbar e acabou expulso. Sem hesitar, o palmeirense pegou a bola e foi com ela para o vestiário. Naquele momento, essa era a única bola disponível. A partida teve que ficar vários minutos interrompido.
Episódios como esse explicariam porque o craque César Lemos "virou" César Maluco. Segundo ele conta, o apelido lhe foi dado pelo famoso locutor esportivo Geraldo José de Almeida, que começou a chamá-lo assim quando no início dos anos 70 César passou a comemorar seus gols subindo nos alambrados e se misturando aos torcedores. Bastava se aproximar de um clássico para ele aparecer na imprensa fazendo provocações e prometendo gols. E na maioria das vezes ele cumpria a promessa, o que só aumentava o ódio das torcidas adversárias por ele. Além da personalidade marcante, que deu "tempero" à famosa Academia, César marcou época por sua habilidade em frente ao gol. Um dos melhores cetroavantes da história do futebol. Curiosamente, ele é de uma família de artilheiros. Seus irmãos são Caio Cambalhota e Luisinho "Tombo" Lemos. Aí é outra história!


O craque Paulo Cesar Lima "O CAJÚ INTELECTUAL" – PC, na época em que jogou pelo Botafogo, vivia em rodas com jornalistas e intelectuais como Luiz Carlos Barreto, Ibrahim Sued e Carlinhos Niemeyer (dono do Canal 100). Segundo ele era “o único boleiro aceito nessas rodas com artistas e intelectuais”. Era um jogador que divulgava as idéias do movimento Black Power e dos Panteras Negras, que pregavam igualdade entre negros e brancos, a cultura negra, e divulgavam as idéias dos grandes ídolos negros na época. Não foi à toa que PC recebeu o pai do reggae, Bob Marley, em uma de suas visitas ao Brasil. Em sua passagem pela França se tornou uma pessoa influente, freqüentava festas da alta sociedade, regadas a quantidades exorbitantes de bebida. Conheceu esportistas, empresários e designers que possibilitavam o que ele quisesse. Andava com belas mulheres, restaurantes, festas, passeios de iate e lancha. Hoje se tornou um sujeito livre destas coisas e cheio de vitórias.

O craque Edison Baraçal: Um sujeito que gosta de gente, um ser humano raro hoje em dia. Não só pela fotografia, mas pela ética, nobreza simples de ser e de um profissionalismo exuberante. Um homem completo no sentido da palavra, de amigos que o glorificam como eu e outros diriam o mesmo ou muito mais. Um craque da fotografia! De quebra um dia já jogou futebol e muito bem por sinal.
PS: Quem disse que uma mulher não pode falar de Futebol e Fotografia?! Falei ora!
Visite
http://baracal-press.blogspot.com/

26/07/11

Salto alto

"Não sei quem inventou o salto alto,
mas todas as mulheres devem muito a esta pessoa".

10/07/11

Rumo ao mar

Vai o barco balançando a destino do mar,
transporta sonhos de um lado para outro,
na onda branca e inquieta que não pára,
a encantar-se com a beleza de suas margens.
Doçura impetuosa das marés a subir no entardecer,
gotas cintilantes desafiando as fortaleza das pedras,
enquanto os barcos crepitam nas ondas azuis,
ida e volta, chegada e partida de pequenos cais.
Segue o barco neste mar entre montanhas,
cortando as ondas que soluçam baixinho,
canção do mar, plena de magia e poesia,
que nesta hora até os pássaros silencia.
Água, sal e vida, hora da despedida,
segue o barco a sua rota, ficamos aqui no cais,
de tantas belezas avistadas fica um quase poema,
vago como a luz que reinventa o azul do mar,
no verde-mar-poema que ficou na margem.
Homenagem a poetisa Sônia Schmorantz

05/06/11

Descoberta

Desde que descobriu que as palavras
podiam tanto consolar quanto ferir,
optou pelo silêncio..
Desde que descobriu que o silêncio
podia tanto confortar quanto omitir,
optou pela sensatez..
Desde que descobriu que a sensatez
podia tanto ponderar, quanto mentir,
decidiu ser ele apenas, igual e diferente,
como qualquer outra pessoa...
por Edmundo Colen