26/07/2011

Salto alto

"Não sei quem inventou o salto alto,
mas todas as mulheres devem muito a esta pessoa".

10/07/2011

Rumo ao mar

Vai o barco balançando a destino do mar,
transporta sonhos de um lado para outro,
na onda branca e inquieta que não pára,
a encantar-se com a beleza de suas margens.
Doçura impetuosa das marés a subir no entardecer,
gotas cintilantes desafiando as fortaleza das pedras,
enquanto os barcos crepitam nas ondas azuis,
ida e volta, chegada e partida de pequenos cais.
Segue o barco neste mar entre montanhas,
cortando as ondas que soluçam baixinho,
canção do mar, plena de magia e poesia,
que nesta hora até os pássaros silencia.
Água, sal e vida, hora da despedida,
segue o barco a sua rota, ficamos aqui no cais,
de tantas belezas avistadas fica um quase poema,
vago como a luz que reinventa o azul do mar,
no verde-mar-poema que ficou na margem.
Homenagem a poetisa Sônia Schmorantz

05/06/2011

Descoberta

Desde que descobriu que as palavras
podiam tanto consolar quanto ferir,
optou pelo silêncio..
Desde que descobriu que o silêncio
podia tanto confortar quanto omitir,
optou pela sensatez..
Desde que descobriu que a sensatez
podia tanto ponderar, quanto mentir,
decidiu ser ele apenas, igual e diferente,
como qualquer outra pessoa...
por Edmundo Colen

09/05/2011

Acreditar

"Acreditar no impossivel
Gostar do cão, do gato, da flor
Fazer passar a dor com um beijinho
Adormecer com uma história de encantar
Ter sempre a resposta na ponta da língua
Com um jeito todo peculiar
Esta é a essência do SER CRIANÇA
É esperar, acreditar e não ter medo
É viver no mundo dos sorrisos
Abrir a caixinha dos segredos
E descobrir verdades... sem medos!
"
Ana Casanova
Humana

15/04/2011

No mar

Venha, não tenha medo. É só o mar.
Não, eu não sei nadar por nós dois.
Eu te ajudo, vem. Confia, vem.
Estica as pernas assim, abre os braços assim.
Respira assim. Vem.
Mas eu não sei nadar.
Mas eu to aqui. Olhe meus olhos tão arregalados,
como posso guardar mentira aqui?
Eu posso cantar pra ti, eu posso te segurar,
eu posso ficar aqui até conseguires.
Eu não sei. Tá perto. Vai. Solta da borda.
Eu sei, já fostes parar no fundo. Mas agora é diferente.
Tá mais raso. E eu to aqui. Eu vim do outro lado do oceano.
Eu vim só por tua causa. Vem, larga da borda.
Pode vir. Eu vi como tu és e é por isso que estou aqui.
Confia. Não sei. Podes vir. Não tem mais ninguém.
A borda é para os peixes pequenos.
Solta, isso, relaxa a cabeça no meu peito.
Não tem fundo mas eu te ajudo a flutuar.
Tu podes. Calma.
Afoga um pouco no começo, cansa, desespera.
Mas se queres como eu quero? Quero. Então eu te ajudo. tati

03/04/2011

Pintor das planíces

Olho o tapete verde
Salpicado de amarelo
E do encarnado
Das papoilas.
Um tapete enorme,
Que não foi pintado
Nem tecido
Por ninguém conhecido.
E é tão lindo
Vê-lo aparecer
Em todas as Primaveras.
Quem disse que estas terras
São desertas e feias
Nunca olhou com atenção
Para este plano chão
Onde, das mãos do Mestre,
Caiu o arco-íris,
Que com a brisa leve e quente
Espalhou contenteAs suas cores,
Por estas planícies
De tantas lendas,
De tantos amores.
por maria Sousa

15/03/2011

Somos todos iguais nesta noite

Somos todos iguais nesta noite
Na frieza de um riso pintado
Na certeza de um sonho acabado
É o circo de novo...
Nós vivemos debaixo do pano
Entre espadas e rodas de fogo
Entre luzes e a dança das cores
Onde estão os atores..
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Vamos dançar mais uma vez...
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Vamos entrar mais uma vez...
Somos todos iguais nesta noite
Pelo ensaio diário de um drama
Pelo medo da chuva e da lama
É o circo de novo...
Nós vivemos debaixo do pano
Pelo truque malfeito dos magos
Pelo chicote dos domadores
E o rufar dos tambores...
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado...
Vamos dançar mais uma vez...
Pede a banda
Prá tocar um dobrado
Olha nós outra vez no picadeiro
Pede a banda
Prá tocar um dobrado...
Vamos entrar mais uma vez...
Composição:
Ivan Lins e Vitor Martins

27/02/2011

Palhaço de mim

Tira a máscara palhaço,
deixa a lágrima rolar,
Palhaço do peito de aço
caminha no teu cadafalso
nos lábios o gosto do mar.
Deixa rolar a tristeza
em gotas salobras na face
baixou o pano, certeza,
esquece a tua grandeza
tira da cara o disfarce
Chora palhaço o teu pranto
ninguém há de o perceber
pranteia só, no teu canto,
esconde de todos o espanto
d'o palhaço também sofrer
PALHAÇO DE MIM
Jorge Linhaça

07/01/2011

Eita

Eita!
Percussão
Desritmada
Incompreensivel
Desatinada
Vai, coração moleque,
Desenfreado!
Sei... Não é pretensão,
Loucura
Ou coisa assim
Essa verdade
Quem manda o recado
É o pulso
O sangue
Na rodovia das vêias
O comando vital
Que lembra
Malandragem,
Samba no pé...
É a batida da VIDA
Num sorriso
Guardado a 7 chaves
Numa CABANA inesquecivel
Da "Ilha Sentir"
por Liza Leal

29/12/2010

Mordaça

Tudo o que mais nos uniu separou
Tudo que tudo exigiu renegou
Da mesma forma que quis recusou
O que torna essa luta impossível e passiva
O mesmo alento que nos conduziu debandou
Tudo que tudo assumiu desandou
Tudo que se construiu desabou
O que faz invencível a ação negativa
É provável que o tempo faça a ilusão recuar
Pois tudo é instável e irregular
E de repente o furor volta
O interior todo se revolta
E faz nossa força se agigantar
Mas só se a vida fluir sem se opor
Mas só se o tempo seguir sem se impor
Mas só se for seja lá como for
O importante é que a nossa emoção sobreviva
E a felicidade amordace essa dor secular
Pois tudo no fundo é tão singular
É resistir ao inexorável
O coração fica insuperável
E pode em vida imortalizar
**
Composição: Eduardo Gudin
e Paulo César Pinheiro

22/12/2010

Feliz Natal

Se durante a noite
um homem grande,
gordo vestido de vermelho
e barba branca saltar pela janela,
te agarrar e colocar no saco,
não te preocupes
porque disse a Noel
que eu queria de presente
o teu sorriso para brindar comigo
um FELIZ NATAL!

27/11/2010

Sempre ao Seu Lado

Gênero: Drama
Ano: 2009
Título Original: Hachiko: A Dog's Story
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..

Ligue o som.

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Pequena sinopse do Filme Sempre ao Seu Lado

Quando Hachiko, um filhote de cachorro da raça akita, é encontrado perdido em uma estação de trem por Parker (Richard Gere), ambos se identificam rapidamente. O filhote acaba conquistando todos na casa deParker, mas é com ele que acaba criando um profundo laço de lealdade. Baseado em uma história real, Sempre ao seu Lado, é um emocionante filme sobre lealdade.
Curiosidades:Sempre ao Seu Lado é a adaptação de um famoso conto japonês sobre um cão da raça Akita, chamado Hachiko. Este conto tornou-se símbolo da fidelidade para o povo japonês.

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Elenco

Richard Gere … Parker WilsonSarah Roemer … Andy WilsonJoan Allen … Cate WilsonCary-Hiroyuki Tagawa … KenJason Alexander … CarlErick Avari … ShabirRobert Capron … StudentDavenia McFadden … Mary AnneKevin DeCoste … RonnieForest … HachikoBates Wilder … Dog CatcherRobbie Sublett … MichaelTora Hallstrom … HeatherGloria Crist … CommuterDonald Warnock … Senior Train ConductorDonna Sorbello … MyraGary Roscoe … PedestrianOscar J. Castillo … Train station commuterMartin Montana … Train Station CommuterAdam Masnyk … Awkward Reacting BoyDenece Ryland … Miss LathamMichael Kelly … CommuterRoy Souza … Commuter #2Vincent J. Earnshaw … Train Station CommuterBen Skinner … Funeral Attendee / StudentLuke Allard … StudentRich Tretheway … MoverRob Degnan … Teddy BarnesShane Farrell … Dancer / StudentFrank S. Aronson … Milton – ButcherJoanne Fanara … CommuterIan Sherman … Student PianistMorgan O’Brien … Train commuterThomas Tynell … Man – New HomeownerRaymond Alongi … Train Station CommuterEllen Becker-Gray … Town Resident / Train CommuterGail Bugeja … Local Resident / CommuterDesiree April Connolly … Train CommuterElizabeth Freeman … StudentAlbert Gornie … CommuterPatrick Mel Hayes … Commuter / BusinessmanEdward L. Papazian … Air Line Baggage HandlerAmerico Presciutti … Train Station PassengerRich Skinner … Train Commuter
Ficha Técnica
Título no Brasil: Sempre ao Seu LadoTítulo Original: Hachiko: A Dog’s StoryPaís de Origem: EUAGênero: DramaClassificação etária: LivreTempo de Duração: 93 minutosAno de Lançamento: 2009Estréia no Brasil: 25/12/2009Estúdio/Distrib.: Imagem FilmesDireção: Lasse Hallström

Esta postagem é para homenagear
aos amantes do cinema

10/11/2010

Cais


Um dia você foi barco
E senti a chegada dele no meu cais
Chegou batendo as hélices nas minhas emoções
Foi encostando reluzente em minha alma
Alegrando os meus olhos com lindas imagens
Trazidas das suas viagens vida
Fez o cais balançar tremulando
Feito a vela em ventania
Senti medo do barco ancorar
E navegar por mim
Desconhecido mar levantei o cais
Guardei a vela emoção dentro do peito
E mergulhei na minha solidão
poema e foto por Paula Barros

***
foto de Eduardo Poisl

23/10/2010

Plebeu

Plebeu suado, atrevido e faceiro
com a túnica branca ou listrado alvinegro.
Veio de longe, de muito longe!
Lutou para esquecer a pobreza.
Venceu! Tornou-se um rei.
Nele sobravam a perseverança
e a coragem da valentia de um líder,
parecia que tinha tres corações!
Por onde cavalgava, eloquência os adversários,
sempre corpulentos e covardes.
Certo dia foi revogada a lei Pagão
e escolhido o rei dos campos de batalhas
graças os próprios méritos
com a aprovação unânime do povo e da corte.
Enumerava as vitórias e tentos,
seus ataques contra os alvos tinham destinos certeiros!
Foram mil. Muito mais!
O grito de guerra ecoava vibrante,
fora do tempo e espaço
parecia que o tempo parava por uns instantes
ficou na lembrança do mundo.
Abraçava os seus guerreiros a cada tento.
O rei permanecerá na memória não mais em um,
dois ou três, mas em todos corações da terra.
Aos toques dos clarins dos escudeiros.
O povo e a corte aclamavam a sua astúcia genialidade;
e elegia o verdadeiro e único rei do século!
Com seu sorriso puro,
socava o ar e beijava a cruz sobre
a armadura do guerreiro valente.
Deixava sempre o castelo para conquistar
novos tesouros em campos de batalha estrangeiros
se aventurando com os seus bravos soldados.
Várias vezes permutava sua túnica tradicional
por outra verde, azul, amarela e branco.
Outros reis, príncipes, marajás
e imperadores de reinos aliados próximo
das montanhas da serra de um maravilhoso mar,
que não se sabia o por que chamavam de Rio.
Se juntavam, preparavam as batalhas de exibição
e aventuravam em guerras a favor da disputa de estatueta
de ouro de muito valiosa, que depois desapareceu...
Após derrotar oponentes, levava a paz,
pedia proteção as crianças e todos sentiam-se honrados ao seu lado.
Mas um dia o rei trocou de corte,
deixou o castelo mais famoso do mundo do sul,
por outro mais afortunado que conquistou ao norte,
encontrando uma nova cultura, outros tesouros,
outras línguas e outro povo.
Os súditos do sul lamentam por não ter havido
um herdeiro com espírito de rei em suas fileiras
e eram humilhados com derrotas.
Mas tudo chegaria ao fim,
o rei está no seu merecido descanso,
com a missão cumprida,
longe dos campos de batalhas,
dos soldados, dos adversários e do castelo do sul,
onde só restaram os bobos da corte!
®
escrito em 1989 por tossan
***
photo de Baraçal

14/10/2010

Contrastes

Homenagem a fotografia de Armindo C. Alves (clique no nome)
Os contrastes nos surpreendem,
intrigam e desapontam.
Procuramos ler o motivo e atribuímos,
causas e razões....
Não há justificação nem tem que haver.
Ao ruído enervante do vento frio segue-se
o som de mil pingos abafando
na sua humidade o sapateardes incauto solitário
se deslocando à noite na calçada.
Bela e inesperada a visão.
Mas, chuva na Primavera?
Sem justificação?
Chuva, chuva é água.
Água é vida..., quero molhar-me.
***
por Armindo C. Alvez

04/10/2010

Da Liberdade

Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero!
Sentir, pensar, crescer,
Aprender, esquecer
Rebelar, aquiescer
Subir, descer, viver!
És livre!
Ao que preferir escolher
A tudo que desejar
A tudo satisfazer
Os desejos do corpo
As aspirações da alma
Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero!
A mim E a ti também!
Doar Abster
Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero
Quanto a materialidade
Que tudo contém
Quanto as contingências
Que muito mantém
Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero
Quanto o coração profundo e secreto
Que sempre, sempre atento
Em última instância
É este, quem bate o martelo!
Vai que podes!
Isso é tão verdadeiro e sincero
Quanto a aprovação desejada
De uma vida glorificada
E tão verdadeiro e sincero
Quanto a existência da espada!
***(É-se livre... para fazer,
com os recursos que possui, o melhor.)
por Luciene de Morais
http://humanidades-e-afins.blogspot.com/
***
photo por Edison Baraçal

20/09/2010

A última crônica

A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico. Nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num acidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: "assim eu quereria o meu último poema". Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica. Ao fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acrescentar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome. Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho - um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular. A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim. São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: "Parabéns pra você, parabéns pra você..." Depois a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando para ela com ternura - ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. Dá comigo de súbito, a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido - vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso. Assim eu quereria minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso."
por Fernando Sabino

13/09/2010

Vales

Vale-refeição,
Vale-transporte,
Vale-cultura...
Vale-brinde,
Vale-presente,
Vale-compras...
Quanto vale seu salário?
Quanto vale seu prazer?
O que vale a pena neste vale-tudo?
Ao menos, que valha a esperança!
por Edmundo Colen

04/09/2010

Quasar

Essa incontrolável expansão do eu
Essa alegria embriagada
Essa sublimação contida
E a valsa ainda descompassada.
É interação multifaceada
da forma e do conteúdo
É o cintilante e o opaco
O prazer e o desconforto
A angustia e o êxtase.
O reflexo e a inquietude
A liberdade e o limite
É oxigenação esbanjada
É feito no interior
É a alma tocando o céu!
É a tênue ligação do tudo e do nada
É o pulsar da vida
É viver!
É viver intensamente e não deixar por menos
É o avesso do avesso do avesso...
por Maria Dias
Parabéns pelos 3 anos de blog

25/08/2010

Decreto

Ideias arcaicas,
hipócritas, ásperas,
tais quais a saburra
esbarrando no nada
ou no bizarro!
Assim são:
Elas com aspecto rude!
Eles com caras uniformes!
O seus lemas são a própria
felicidade...
São lúgubres!
Suas crenças é o radical.
Só repousam sobre o sólido.
São exímios donos da verdade.
Contra fazedores da esperança alheia.
Nada criam...
Apenas copiam imitando
a própria falsificação.
Junto deles...
Nem por decreto!
por tossan
http://klictossan.blogspot.com/

14/08/2010

Relógio

Passa, tempo,
tic-tac Tic-tac,
passa, hora
Chega logo,
tic-tac Tic-tac,
e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac Tic-tac
Dia e noite Noite e dia
Vinícius de Moraes
photo: in natura

31/07/2010

Poesia

Gastei uma hora
pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade

22/07/2010

Carapuça

Que personagem avaro
consegue ver o céu
com indiferença?
Com a sua cara bizarra,
parece vermes
das fezes de abutres!
É formado por contágio directo,
transformado em parasitas.
No corpo vegetativo
é um protozoário na propriedade alheia.
Uma tonelada de anti virose
não seria o suficiente para imuniza-lo,
não reage mais, não há cura...
Não consegue labutar,
colhe os frutos sadios,
suga a carniça do próximo
e ainda critica o melhor sucedido.
Só quer o poder pelo poder.
Um chatim!
por Tossan

14/07/2010

Classe Média

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte,
ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Composição: Max Gonzaga

02/07/2010

Bilhete

Se tu me amas,
ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
tem de ser bem devagarinho,
Amada, que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda...
Mário Quintana

14/06/2010

Gato


Silêncio,
eis a tarefa
de todos os gatos.
Poucos sabem perscrutar
(talvez ninguém em plenitude)
o grau de solidão
necessária ao saber
auto suficiente
para ser felino
e doméstico
em sua tarefa de monge
guardião do inextricável
em quem o homem
não percebe a metafísica natural,
recolhimento saber
sensualidade e aceitação.
Artur da Távola

31/05/2010

Desejo

Desejo a você…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Crônica de Rubem Braga
Filme antigo na TVT
Ser uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Uma tarde amena
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade

21/05/2010

Prisioneiro do Tempo

No momento certo
No diário da vida
Eles se encontraram
Ele poeta das estrelas
Ela aprendiz do espaço
Atraídos pelo destino
Guiados por sentimentos
Separados pela distância
Passam os dias...
Correm as horas...
Minam os segundos...
Ele prisioneiro do tempo
Ela algemada a razão
Ambos seguindo a missão
Afastados em corpo
Unidos pela alma
Renascem novos dias...
Recriam novas horas...
Reconstroem os segundos...
Ele se torna vento
Ela se faz brisa
Juntos entrelaçados no tempo
Ligados pela paixão e dor
Sentenciados a viver o amor
homenagem: Tatiana Moreira
http://plantandoamor.blogspot.com/