25/08/2010

Decreto

Ideias arcaicas,
hipócritas, ásperas,
tais quais a saburra
esbarrando no nada
ou no bizarro!
Assim são:
Elas com aspecto rude!
Eles com caras uniformes!
O seus lemas são a própria
felicidade...
São lúgubres!
Suas crenças é o radical.
Só repousam sobre o sólido.
São exímios donos da verdade.
Contra fazedores da esperança alheia.
Nada criam...
Apenas copiam imitando
a própria falsificação.
Junto deles...
Nem por decreto!
por tossan
http://klictossan.blogspot.com/

14/08/2010

Relógio

Passa, tempo,
tic-tac Tic-tac,
passa, hora
Chega logo,
tic-tac Tic-tac,
e vai-te embora
Passa, tempo
Bem depressa
Não atrasa
Não demora
Que já estou
Muito cansado
Já perdi
Toda a alegria
De fazer
Meu tic-tac
Dia e noite
Noite e dia
Tic-tac Tic-tac
Dia e noite Noite e dia
Vinícius de Moraes
photo: in natura

31/07/2010

Poesia

Gastei uma hora
pensando um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.
Carlos Drummond de Andrade

22/07/2010

Carapuça

Que personagem avaro
consegue ver o céu
com indiferença?
Com a sua cara bizarra,
parece vermes
das fezes de abutres!
É formado por contágio directo,
transformado em parasitas.
No corpo vegetativo
é um protozoário na propriedade alheia.
Uma tonelada de anti virose
não seria o suficiente para imuniza-lo,
não reage mais, não há cura...
Não consegue labutar,
colhe os frutos sadios,
suga a carniça do próximo
e ainda critica o melhor sucedido.
Só quer o poder pelo poder.
Um chatim!
por Tossan

14/07/2010

Classe Média

Sou classe média
Papagaio de todo telejornal
Eu acredito
Na imparcialidade da revista semanal
Sou classe média
Compro roupa e gasolina no cartão
Odeio “coletivos”
E vou de carro que comprei a prestação
Só pago impostos
Estou sempre no limite do meu cheque especial
Eu viajo pouco, no máximo um pacote cvc tri-anual
Mais eu “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Mas fico indignado com estado quando sou incomodado
Pelo pedinte esfomeado que me estende a mão
O pára-brisa ensaboado
É camelo, biju com bala
E as peripécias do artista malabarista do farol
Mas se o assalto é em moema
O assassinato é no “jardins”
A filha do executivo é estuprada até o fim
Ai a mídia manifesta a sua opinião regressa
De implantar pena de morte,
ou reduzir a idade penal
E eu que sou bem informado concordo e faço passeata
Enquanto aumenta a audiência e a tiragem do jornal
Porque eu não “to nem ai”
Se o traficante é quem manda na favela
Eu não “to nem aqui”
Se morre gente ou tem enchente em itaquera
Eu quero é que se exploda a periferia toda
Toda tragédia só me importa quando bate em minha porta
Porque é mais fácil condenar quem já cumpre pena de vida

Composição: Max Gonzaga

02/07/2010

Bilhete

Se tu me amas,
ama-me baixinho
Não o grites de cima dos telhados
Deixa em paz os passarinhos
Deixa em paz a mim!
Se me queres, enfim,
tem de ser bem devagarinho,
Amada, que a vida é breve,
e o amor mais breve ainda...
Mário Quintana

14/06/2010

Gato


Silêncio,
eis a tarefa
de todos os gatos.
Poucos sabem perscrutar
(talvez ninguém em plenitude)
o grau de solidão
necessária ao saber
auto suficiente
para ser felino
e doméstico
em sua tarefa de monge
guardião do inextricável
em quem o homem
não percebe a metafísica natural,
recolhimento saber
sensualidade e aceitação.
Artur da Távola

31/05/2010

Desejo

Desejo a você…
Fruto do mato
Cheiro de jardim
Namoro no portão
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Sábado com seu amor
Crônica de Rubem Braga
Filme antigo na TVT
Ser uma pessoa especial
E que ela goste de você
Música de Tom com letra de Chico
Frango caipira em pensão do interior
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Noite de lua Cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho
Sarar de resfriado
Formar um par ideal
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada
Pôr-do-Sol na roça
Uma festa
Um violão
Uma seresta
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Uma tarde amena
Tocar violão para alguém
Ouvir a chuva no telhado
Vinho branco
Bolero de Ravel
E muito carinho meu.
Carlos Drummond de Andrade

21/05/2010

Prisioneiro do Tempo

No momento certo
No diário da vida
Eles se encontraram
Ele poeta das estrelas
Ela aprendiz do espaço
Atraídos pelo destino
Guiados por sentimentos
Separados pela distância
Passam os dias...
Correm as horas...
Minam os segundos...
Ele prisioneiro do tempo
Ela algemada a razão
Ambos seguindo a missão
Afastados em corpo
Unidos pela alma
Renascem novos dias...
Recriam novas horas...
Reconstroem os segundos...
Ele se torna vento
Ela se faz brisa
Juntos entrelaçados no tempo
Ligados pela paixão e dor
Sentenciados a viver o amor
homenagem: Tatiana Moreira
http://plantandoamor.blogspot.com/

09/05/2010

Gaiola

Não passo de um pássaro
Aprisionado
Em gaiola dourada
De grades feitas de estrelas
Marchetadas no azul do Firmamento
Alimentado de ar, água e vento
Angústia, ilusão e pão
Pássaro com asas de fantasia
Que pensa
Ama de verdade
Ora e canta poesia
E que aspira à liberdade
<>
Homenagem a Henrique Pedro

22/04/2010

Acordes


Existem tantas razões
para acordes,
razões de uma simples
pauta para continuar...
E tão certo e monótono
seguir a solidão,
e tão difícil a tarefa
do novo sonho...
Existem mistérios,
somente mistérios...
por tossan

09/04/2010

Poesia do Cais

Passo por caminhos que ainda não conheço
Tudo me parece sombrio,
Apesar da luz que insiste em se mostrar,
Nada do que faço parece ser somente meu,
Entretanto, existe afeto.
E nas noites de horas atentas,
O sol nasce cinzento.
Não me assusta a opacidade do dia
Minhas lentes me dão cores vivas.
Caminho pelo cais olhando as gaivotas.
Encontro a poesia.Já é lixo,
em pedaços molhados pelas ondas.
Dentro, existe muito mais do que vejo.
São sentimentos que se misturam e me confundem.
Amor, ambição, plenitude, desejo...
Então não viajo sozinho.
Comigo agora estão: Drumonnd,
Quintana, Manuel Bandeira,
Cora Coralina, Paulo Leminski, Cecília Meireles,
Fernando Pessoa e suas faces...
Por fim Castro Alves fala por mim.
“Deus ó Deus, onde estás que não respondes?
Em que mundo, em que estrela tu te escondes?”
Benditas sejam as palavras molhadas!
Que bela mistura de maresia e versos!
Viva a alegria dos que voam!
por J. Machado

01/04/2010

Viver na Beira-Mar

http://schmorantz.wordpress.com/
Nunca o mar foi tão ávido
quanto a minha boca.
Era eu quem o bebia.
Quando o mar
no horizonte desaparecia
e a areia férvida
não tinha fim sob as passadas,
e o caos se harmonizava
enfim com a ordem,
eu havia convulsamente
e tão serena bebido o mar.
*
Fiama Hasse Pais Brandão,
in "Três Rostos - Ecos"
http://citador.pt/poemas.php?poemas=Fiama_Hasse_Pais_Brandao&op=7&author=21226

25/03/2010

Chove agora

Chove neste momento,
o mundo é miragem na vidraça,
tem água na paisagem e
alma se enclausura com cuidado.
A chuva apagou as estrelas,
formou um lago de memórias,
inquietudes, casa vazia…
Chuva cai e oculta tudo lá fora,
bate no vidro e traz saudade,
cai musicando nos telhados,
reverenciando a madrugada.
É chuva que cai na alma,
é o choro do vento na rua,
vagarosas horas de nostalgia,
acinzentando o peito,
quando a natureza entristece.
por Sônia Schmorantz
***
homenagem ao amigo Eduardo Poisl

17/03/2010

Rima do Palhaço

Procurei o meu espaço
no meu tempo escasso,
mas com o teu abraço
rompi o meu fracasso.
Pintei o teu retrato
imitando Picasso...
Foi um fiasco!
Não me tornei um ricaço,
e literalmente
me transformei
num palhaço!
por tossan

07/03/2010

Digotomia

Foto: Tela - Mysterious Clown de Marcella Cocconi
**
Além de tudo
escolhera ser palhaço.
Pensara que os risos abertos
que despertaria
ao interpretar o seu papel,
impediriam suas lágrimas.
Palhaço triste
já virara clichê.
Então,
Vestiu um terno,
conseguiu um trabalho
numa empresa enfadonha,
e passou a rir o dia inteiro
dos papeis sem sentido
sobre sua mesa.
por Edmundo Colen
***
embaixo de cada edição assista
trailer de cada filme, vale a pena.

28/02/2010

Comédia D'enganos

Eu sou o palhaço que não ri,
o sortilégio da dor,
uma comédia de (des)enganos,
o rosto do (des)amor...

Sou rosto pintado de mil cores,
cada uma em contradição,
sou uma patética vida,
onde bate um...coração...
Onde bate a saudade,
onde mora ainda uma réstia de luz,
onde ainda voa uma gargalhada
que a um deus seduz...
Eu sou...
###
homenagem ao talento.
foto encontrada na internet

20/02/2010

Respeitável Público

Atenção ao picadeiro
Que comece o espetáculo
Ele, em trapézio de versos
Eu, olhos atentos
Coração aos saltos
Ele não é o que parece ser
Nem só poeta
Nem só palhaço
É o que não se pode conceber
Doma o tempo
Adestra sentimentos
Ele é o mago
Danielle
Impressões Digitais

11/02/2010

Hoje não!!

Hoje não é dia de ser!
Hoje é dia de fingir que se é!
Hoje vou sair,
tenho de me preparar
e vestir-me condizente com aquilo
que os outros esperam de mim.
Por isso, hoje não é dia de Ser!
Hoje é dia de fingir
que se é o que nunca se foi,
para então agradar,
para não escandalizar,
para não decepcionar.
Eu não queria ir pelo caminho da fantasia.
Mas quanto mais de mim coloco,
menos faço a todos sorrir.
Por isso a máscara está pronta.
Ao longe já se ouve a lira, e sou,
como num palco a personagem
que rodopia e gira!Hoje não é dia de ser!

01/02/2010

Pecadora

Você planta os joelhos no chão,
por minha alma vadia
pede perdões rende graças
a seus ocos cofres santos.
Você passa noites inteiras
refém de sua fé arrogante,
orando em sussurros incompreensíveis
como quem conspira escondida pelos cantos.
Pois eu passo as minhas noites
pecando sem rumo, sem hipocrisia.
Minha gula é de gente.
Minha sede, de alegria.
À beira mar, espero o rei sol nascer
e cega de vida pelo banho de luz,
peço clemência por sua alma pequena
que se interessa mais por um buraco de fechadura
do que pela imensidão brilhante da lua.

12/01/2010

Janela

Pela janela
por descuido,
pessoas assistem
à cenas insólitas.
Pela janela
as alcoviteiras,
velhas e moças
fazem intrigas.
Pela janela
o movimento de pessoas
desempregadas
e afoitas engolem
os classificados.
Pela janela
a adolescência
se droga e se vicia.
Pela janela
a testemunha assiste
à assaltos, estupros
e sequestros.
Pela janela
os gemidos da mocinha
perdendo a hipocrisia.
Pela janela
além da paisagem, alguém
espera a própria morte.
(poema&photo por tossan)

http://klictossan.blogspot.com

Desejo de Vencer

Venceria na vida a qualquer custo,
de qualquer jeito.
Os meios não importavam.
Seria respeitado,
admirado, aclamado.
Estudou todos os estudos,
trabalhou além de todos os limites,
arriscou planos e projetos,
e um dia, sentiu o sabor do desejo realizado.
Vencera na vida.
Vencera a vida.
Uma noite, ao chegar em casa,
cansado de tantos cansaços,
saboreou um chandon e,
pela primeira vez,
notou não haver ninguém
a lhe fazer um brinde.
Deitou a taça,
deitou o corpo
e fitou o vazio...
por Edmundo Colen

09/01/2010

Vinho

vou recolher meu tempo dos interstícios,
das falhas, dos erros da estrada.
lá, onde se acumulam,

como água de chuva recente,
um minuto e alguns
outros remanescentes
de horas dispersas,
indiferentes entre si.
de joelhos com a boca feito

um animal buscar nos vãos do asfalto
o que me sobra do meu ou
o que esquecem do deles.
feito um animal com a boca seca

de sedenão obstante cheia da água
daqueles mesmos vãos.
movido pela intuição?
o instinto, irrefutável lógica da falta:
bebe agora pela vontade
que um dia há de ter.
por essa saudade prematura.

por uma fé ao inverso.
vou recolher meu tempo

dos interstícios, das falhas,
dos erros da estrada.
por b.m
http://poesiasevinho.zip.net

02/01/2010

Flor

- Ó! Flor do meu jardim
Não venhas afarpalhar
O meu coração.
Tenhas dó de mim,
Não me faças chorar.
Já não te basta,
ter que,
Dividir-te com a lua,
Com o sol e o com o ar.
Tenhas dó,
deste pobre jardineiro,
Que te plantou te regou,
Mas que não pode te apanhar.
Assim é o meu penar de amor
Que vê aquela linda menina
Botão em flor a desabrochar,
Que as mãos de outro jardineiro
Suas pétalas vão acariciar.
José Aparecido Botacini
Homenagem ao poeta

23/12/2009

Amar


.
Amar
É ouvir a tua voz,
sentir os teus lábios
e o teu colo aconchegante,
é estar no areal junto ao mar
e observar a lua em noites de frio.
É olhar o céu e saber
que cada estrela é um beijo teu
Segurar as tuas lágrimas
de doce sal com o meu coração.
É ler contigo os poemas
de todos os poetas.
Andar numa noite de inverno
pelas ruas desertas
de volta para casa.
É dizer na mesa de um café
as palavras certas
Transformar esse local
nas nossas rimas de amor.
Amar…
É tocar estrelas sem sair do chão,
Tocar na essência do tempo,
entre o certo e o incerto,
Entre o dar e o receber...
Fechar os olhos
e aprender a voar...
Amar é envelhecer
querendo te abraçar.

08/12/2009

Bússola

Bússola?
Não é preciso.
Temos a sapiência
das estrelas nos nossos corações
quero que tu me ames agora,
enquanto o Universo
se expande infinito para nos caber
Navegámos meio século
nos mares inexplorados fora da Terra.
Afastámo-nos da perversidade ácida
que se alimenta de matéria gorda
no coração do HOMEM.
Vivemos meio século de amor.
por Leo Mandoki Jr.

30/11/2009

Ventos de Mudança

Soltam-se as vozes dos deuses
e o som propaga-se pela encosta,
descendo até nós...
Nesse momento percebemos
que estamos a ser tocados
pelos Ventos da Mudança...

*Desprendem-se fagulhas
douradas que alcançando
os céus se juntam umas
às outras numa dança cósmica
em torno do planeta.
Quando a noite chegar,
algumas dessas sementes
mergulharão no abismo...
tornando-se as estrelas
cadentes dos sonhadores...
*

Procuramos nos olhos
um do outro, um conforto,
uma resposta...
Este vento traz uma mensagem
que ainda não sabemos decifrar.

Mas o vento continua a soprar...
a mudança não tardará a chegar.
Então continuamos o nosso caminho,
lado a lado, olhando em frente...

«A cada segundo começa para nós
uma vida nova»
*
CarlaSofia

18/11/2009

pedra

No meio do caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra tinha uma pedra
no meio do caminho
no meio do caminho
tinha uma pedra
.-.
Carlos Drummond de Andrade

27/10/2009

Andaluz

Sou nuvem, Vadia
gota de água
Desenhando o cosmos
Sou espinho,
Saído da terra
Sangrando o Mundo
Sou mar, gotas salgadas
De lágrimas perdidas,
Sou ar, Prana de vida
No raiar da aurora,
Sou gotícula de luz
Nascida do fogo
Osculada pelo sol.
Sou um pouco de tudo,
e muito de nada.
Poema Luna
*
http://multiolhares-poetadaspiramides.blogspot.com